domingo, 18 de dezembro de 2011

Que seja doce...


Te desejo uma fé enorme.

Em qualquer coisa, não importa o quê.

Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.


(Caio Fernando de Abreu)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Houve um tempo: nós o perdemos? Tudo o que poderia vibrar calou-se numa espera demasiada. Talvez te sirva este vazio, que é como teu rosto contornado pelo silêncio ou pelo fio muito fino de uma lágrima. Podes te acomodar aí, como uma flor, um fruto esquecido sobre a mesa. Prometo: virei pisando leve, para que nem estremeça na tua vida pousada na minha.

(Lya Luft)

domingo, 20 de novembro de 2011

"Só existe uma solidão. É grande e difícil de suportar. E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão. Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém… Isto é o que importa conseguir. Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto à nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres..."

(Rainer Maria Rilke, in: Cartas a um Jovem Poeta)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pretensas palavras em silêncio

jardins inabitados pensamentos
pretensas palavras em
pedaços
jardins ausenta-se
a lua figura de
uma falta contemplada
jardins extremos dessa ausência
de jardins anteriores que
recuam
ausência freqüentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta

(Ana Cristina Cesar)

domingo, 6 de novembro de 2011

Para Ana e Marcos, com muito amor...

Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar....esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no “Recife” às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive.

(Caio Fernando de Abreu)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011



Antes eu dizia: Escrevo porque não quero morrer

Mas agora mudei.

Escrevo para compreender o que é um ser humano.


(José Saramago)