quinta-feira, 29 de julho de 2010

Accidente


Temí... no el gran amor.

Fui inmunizada a tiempo y para siempre con un beso anacrónico
y la entrega ficticia
—capaz de simular hasta el rechazo— y por el juramento, que no es más retórico porque no es más solemne.

No, no temí la pira que me consumiría sino el cerillo mal prendido y esta ampolla que entorpece la mano con que escribo.

(Rosario Castellanos)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração não soube e digo
da palavra não digo
(não posso ainda acreditar na vida)
e demito o verso como quem acena e
vivo como quem despede a raiva de ter visto.

(Ana Cristina Cesar)


domingo, 18 de julho de 2010

Rádios. Tevês.
Goooooooooooooooooooooooooooooooolo!!!
(O domingo é um cachorro escondido debaixo da cama)

(Mário Quintana)

sábado, 17 de julho de 2010

Assim, sem nada feito e o por fazer

Assim, sem nada feito e o por fazer
Mal pensado, ou sonhado sem pensar,
Vejo os meus dias nulos decorrer,
E o cansaço de nada me aumentar.

Perdura, sim, como uma mocidade
Que a si mesma se sobrevive, a esperança,
Mas a mesma esperança o tédio invade,
E a mesma falsa mocidade cansa.

Tênue passar das horas sem proveito,
Leve correr dos dias sem ação,
Como a quem com saúde jaz no leito
Ou quem sempre se atrasa sem razão.

Vadio sem andar, meu ser inerte
Contempla-me, que esqueço de querer,
E a tarde exterior seu tédio verte
Sobre quem nada fez e nada quere.

Inútil vida, posta a um canto e ida
Sem que alguém nela fosse, nau sem mar,
Obra solentemente por ser lida,
Ah, deixem-se sonhar sem esperar!

Fernando Pessoa

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Final de quinta-feira

A arte de viver é simplesmente a arte de conviver ... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!

(Mário Quintana)

sábado, 10 de julho de 2010

Faz tanto tempo que invento meus próprios dias.

Preciso começar por algum ponto.

(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Instantes


Há ocasiões em que é mil vezes preferível fazer de menos que fazer de mais, entrega-se o assunto ao governamento da sensibilidade, ela, melhor que a inteligência racional, saberá proceder segundo o que mais convenha à perfeição dos instantes seguintes.

(José Saramago)