domingo, 12 de abril de 2009

Tons... lembranças... saudades...



Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!...
E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar?
Também sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mário Quintana

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Que seja leve...


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso;
o folhear de um livro de poemas;
(um doce sorriso);
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
Mário Quintana

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Silêncio costurando o tempo...


A missanga, todos a veem.
Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas.
Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.
Mia Couto

domingo, 5 de abril de 2009

Quase regressando ... para contar e recordar...


"A vida não é o que a gente viveu,
E sim o que a gente recorda,
E como recorda para contá-la..."


(Gabriel Garcia Marquez)

sábado, 4 de abril de 2009

Guardamos lembranças no tempo


Estou amando essas flores,
sem lhes saber o nome
isso não é justo, nem suficiente.
Sei-lhes o perfume,
vejo pequenas abelhas que as circundam
e delas se alimentam
sem lhes indagar sequer o nome.
Inominadas,
como apreendê-las no poema?
Delas guardarei no tempo
certa cor, certo aroma, certa forma,
como certas pessoas que por mim passaram
- inalcançáveis -
embora deixassem nos meus olhos
o mesmo inominado aroma.
(Affonso Romano de Sant'Anna)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Lá fora a rua vazia chora...


silêncio! hoje o chão, o mar, o vento
me dizem: faça silêncio!
ssh! nada de conversa nesse momento,
minha alma ouve pequenas vozes,
quase silenciosas,
hoje é o dia de sentir, não de ouvir,
e o que sinto? não distingo alegria
da tristeza, o silêncio ri e chora,
duro como um martelo
enfio pregos nos meus dedos,
chão, mar, vento pedem silencio
o martelo enfia o ultimo prego

Iosif Landau

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Somos feitos de sonhos...




Matar o sonho é matarmo-nos.
É mutilar a nossa alma.
O sonho é o que temos de realmente nosso,
de impenetravelmente e
inexpugnavelmente nosso.
(Fernando Pessoa)