domingo, 29 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Não é nada fácil as despedidas ...

Encontros e Despedidas
(Milton Nascimento e Fernando Brant)
(Milton Nascimento e Fernando Brant)
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida
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Música Milton Nascimento e Fernando Brant
dia após dia ...
O mapeamento dos dias1. mais um diapara afligiras coisas do cotidiano
colocar em ordem
sentimentos inúteis
rostos medíocres
que apavoram o sono
2. mais um dia
de aflição
diante de situações
insuportáveis
de conselhos dispensáveis
de reclamações ridículasde detalhes insuperáveis.
3. mais um dia sufocante
3. mais um dia sufocante
diante da mesma
platéia que não sabe
em uníssono
o sentido das coisas
que adormece
diante de cada fala
4. mais um dia
enfadonho
que aperta a garganta
e mostra como é inútil
a vida
que desaba como um
fardo sobre a mesa de trabalho
5. mais um dia que pode ser
cinza ou branco
sem cor até
um pedaço de céu
pela janela
ínfimo
trisco de céu
6. mais um dia
perdido
como o pássaro
em zigue-zague
em direção ao vidro
translúcido
7. mais um dia
(como é difícil)
mais um dia
de palavras vazias
faladas aos borbotões
intensamente
para causar otites
no ouvido
8. mais um dia
de silêncios e solidões
de frases recorrentes
no poema
de saudades e
sentimentos
obstinados
que ferem os sonhos
dilaceram
mais um dia
(Karen Debértolis)
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Poesia Karen Debértolis
quarta-feira, 25 de junho de 2008
IMPOSSIBILIDADES
(...)

Minha memória não é a de um caderno-espiral, para distribuir e censurar as confissões, mentir sua extensão e abreviar o conteúdo. É de um caderno capa dura. Não consigo apagar uma lembrança, mesmo que seja dolorida ou humilhante ou os dois. Muito menos alterar seu número de páginas conforme as necessidades da relação. Não sou de riscar o que aconteceu para parecer mais maduro, ou eliminar as contradições e simular coerência. Inclino-me a conviver com as rasuras e insatisfações. O branco do corretivo sempre me irritou mais do que a mancha violeta. Alterar é disfarçar a carência. Alterar é fingir o que não foi vivido, antecipar o que não era hora. Falsificar-se compulsivamente.
Não irei me vingar com as cinzas, arrancar as folhas que não combinam comigo, ou que me provocaram decepções. Não serei visto queimando fotografias, cartas e paixões numa lata de lixo, apenas porque não me servem mais. O que namorei vai me enamorar a vida inteira. Estará lá numa página definida, permanente, com a letra segurando as linhas. Todos os meus erros são esperançosos pela releitura.
(Fabrício Carpinejar)
(Fabrício Carpinejar)
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Fabrício Carpinejar
terça-feira, 24 de junho de 2008
A espera ...
"Recomeça... se puderes,sem angústia e sem pressa
e os passos que deres,
nesse caminho duro do futuro,
dá-os em liberdade,
enquanto não alcances não descanses,
de nenhum fruto queiras só metade."
(Miguel Torga)
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Poesia Miguel Torga - Imagem J.Miró
Outra Rua ... novas trajetórias...

Nesta Rua
Se esta rua se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para o meu, para o meu amor passar
Nesta rua, nesta rua, tem um bosque
Que se chama, que se chama, Solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração
Se eu roubei, se eu roubei seu coração
É porque tu roubastes o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
É porque eu te quero tanto bem.
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Cantiga popular
domingo, 22 de junho de 2008
Recomeçar
pois o bom da segunda-feira,
do dia 1º do mês
e de cada ano novo
é que nos dão a impressão
de que a vida não continua,
mas apenas recomeça...
(Mário Quintana)
(...)sei da solidão de domingos e das segundas... do aperto das ausências... mas sei também que a história de cumplicidades e afetos está registrada em cada linha cruzada da minha mão.
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Poesia Mario Quintana
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