quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta


“II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente”
(Camilie Claudel)



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Esperarei pelo tempo...



O tempo seca a beleza,
seca o amor,
seca as palavras,
Deixa tudo solto,
leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.
O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.
O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.
Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas,
Esperarei que te seque,
não na terra,
Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.

(Cecília Meireles)




segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Qual máscara estará sendo usada hoje?


"O homem tem duas almas:
uma que olha de dentro para fora
e outra
que olha de fora para dentro".
(Machado de Assis)
... mas descobro também que
usa muitas máscaras [múltiplas faces],
cada uma adequada ao seu momento,
ao seu interesse,
aos seus ganhos...

domingo, 7 de dezembro de 2008

... tudo aos poucos se esclarece

“... tudo aos poucos vira dia e a vida -
ah, vida -
pode ser medo e mel
quando você se entrega e vê,
mesmo de longe."
(Caio Fernando de Abreu)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Interrogações & nada


"Tive a desgraça de me interrogar
sobre meu papel e meu destino.
Indaguei:
'Enfim, de que se trata?'
e, no mesmo instante,
acreditei estar tudo perdido.
Não se tratava de nada."
(Sartre)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Palavras ... simples, inexistentes, faladas, escritas, não ditas...


Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.
Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também.
Sim, mas é a sorte às vezes.
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas.
Cada vez mais eu escrevo com menos palavras.
Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.
Eu tenho uma falta de assunto essencial.
Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
Simplesmente as palavras do homem".
(Clarice Lispector)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Tempo de renúncias




“Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner, Mar Morto (1962)