domingo, 7 de junho de 2009

Cogito que sou ...





eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado
indecente
feito um pedaço de mim
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim
(...) e por ser assim,
devo pedir desculpas
se ocupei indevidamente
- espaço e tempo -
mania de acrededitar em felicidade...

sábado, 6 de junho de 2009

mais nada ...


"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada"
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Como as ondas do mar


Agora vou embrulhar minha angústia dentro do meu lenço.
Vou amassá-la numa bola apertada.
Vou levar minha angústia e depositá-la nas raízes sob as faias.
Vou examiná-la, pegá-la entre meus dedos.
Não me encontrarão.
Morrerei lá.
(Virginia Woolf)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

VIVÊNCIAS

Se sua rua porventura
aparecer coberta de pé้talas caídas
pela inclemência de um vento qualquer,
Não faça nada.
Deixe-a assim,
desordenada e descabida.
São reticências que sobraram
da estação passada.
Acabarão varridas pela propria vida.
(Flora Figueiredo)

uma palavra sozinha...

CANÇÃO DE VIDRO

E nada vibrou...
Não se ouviu nada...
Nada...
Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som.
Cala, amigo...
Cuidado, amiga...
Uma palavra só
Pode tudo perder para sempre...
E é tão puro o silêncio agora!

(Mário Quintana)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ordem do dia



Eu abro a janela,
você acende o céu,
o gato toca o guizo.
Se for preciso,
a gente chama a banda,
cobre de lírios o espaço da varanda,
dá um brilho na pátina da areia.
Risca-se o poente com giz colorido
que faça sentido com a pele do mar.
E se, ao final da linha,
o rádio anunciar que tudo deu errado:
a idéia faliu,
a alegria dormiu,
o projeto quedou-se malfadado;
negou-se o teorema,
falhou o sistema,
perdeu-se a teoria,
então, abriremos por fim a nossa caixa,
onde se conservam bem guardados
o sonho, o veludo e a fantasia.

(Flora Figueiredo)



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ou seja, se ...

... não diferencio os cogumelos
venenosos dos sadios,
os inços das ervas curativas.
como descobrir
o que mata
sem morrer um pouco por vez?
(Fabrício Carpinejar)