domingo, 10 de agosto de 2008

Saber viver

"... essa aceitação ingênua de quem não sabe que viver é,
constantemente,
construir,
e não derrubar.
De quem não sabe que
esse prolongado construir
implica erros -
e saber viver
implica em não ver esses erros,
em suavizá-los e
distorcê-los
ou mesmo
eliminá-los
para que o restante da construção
não seja ameaçado"
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para refletir ...


"Me deparo todos os dias com pessoas assim,
infelizes em suas escolhas,
mas incapazes de tentar algo diferente.
Triste prisão essa,
de passar a vida acorrentada
a uma escolha mal feita."

Extraído: http://vitaadesso.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Entardecer de quarta-feira




INCONFORMISMO
A borboleta,
eu sei que nada mais conhece
do casulo de ouro em que se fez.
E sei que a ave alça o vôo abandonando
o alvo invólucro das cascas que rompeu.
– Que importa agora o ovo?
Mas, eu não.
Eu sigo em frente,
mas quero também mais.
Eu quero em vão o cenário de ainda há pouco.
Já passou.
(Sólon Borges dos Reis)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Sobra-me um silêncio ... um vazio

Hoje nada tenho para partilhar -
sobra-me um silêncio -
dos olhares e das luzes solitárias das noites frias…
Hoje não quero alegrias nem tristezas…
nem me quero a mim!
Se me virem por aqui -
ou por aí - mandem-me para casa.
Mais tarde quando estiver em mim
saberei agradecer-vos…

Paulo Afonso Ramos

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Estou cansada...


Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura,
a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,

E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,

E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente;
eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos

domingo, 3 de agosto de 2008

Se cada dia cai...

Se cada dia cai
Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
(Pablo Neruda)

"Como escritor, sua rotina era bastante rígida. Sentava-se à escrivaninha
às sete da manhã e trabalhava até o meio dia não importando o clima: com chuva
ou com sol, no frio ou no calor, com inspiração ou sem inspiração, porque, como
ele costumava dizer, assim como o apetite vem quando se come, a inspiração
nasce quando se trabalha. À sua frente, um grande caderno de folhas brancas e
sem pautas e uma caneta com tinta verde, sua cor preferida. Eram somente
esses os instrumentos visíveis do poeta operário. Após o almoço fazia uma
pausa das duas às cinco para descansar. Esse repouso era sagrado e obrigatório.
Ao entardecer recebia os amigos, com os quais mantinha longas conversações.
E mesmo dormindo tarde, no dia seguinte sempre acordava disposto a retomar
seu misterioso trabalho matinal."

TEITELBOIM, Volodia. Neruda. Santiago de Chile: Editorial Sudamericana, 2000. p. 436.

sábado, 2 de agosto de 2008

Conversando com o dia ...


DE QUE SÃO FEITOS OS DIAS

De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.
De loucuras,
de crime,
de pecados,
de glórias,
do medo que encadeia todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces e em sinistras alianças.
Cecília Meireles